Casa Meridiano
Uma casa de férias que soubesse ficar quieta.
Uma família nos procurou com um terreno plano entre os arrozais e o pinhal da Comporta, e um pedido raro pela sua simplicidade: uma casa que não competisse com a paisagem.
A resposta foi um único gesto — organizar toda a vida da casa em torno de um pátio central, e deixar que o sol fizesse o resto. Ao longo do dia, a luz percorre os quartos, a sala e a cozinha como um ponteiro. Daí o nome.
Tudo na Casa Meridiano serve ao pátio. Os quartos abrem-se para ele a leste, recebendo a primeira luz; a sala, a oeste, guarda o pôr do sol. Entre os dois, um corredor de travertino que aquece sob os pés à medida que o dia avança.
Escolhemos três materiais e paramos: betão aparente para a estrutura, pinho local para os tetos e caixilhos, travertino para os pisos. Nenhum revestimento esconde o que a casa é. Com o tempo, a madeira escurece, o betão ganha pátina, a pedra se desgasta nas passagens — a casa registra quem vive nela.
“A luz é o único mobiliário que nunca sai de moda.”